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A patricinha irritante da minha escola

Por Renato Cavallera | Em Minhas Histórias, Vida | No 25-11-2009 |

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Nos meus tempos de adolescente eu não escondo de ninguém que fui um idiota rebelde: bebia de mais, não respeitava nada nem ninguém, não estava nem ai para os estudos e só queria saber de sexo, drogas e rock ‘n roll literalmente, assim consegui estar na lista dos piores alunos do colégio e bater alguns recordes de bagunça, mas isso é história para outro post…

Na minha turma no 3ª e último ano do segundo grau (ensino médio hoje), em um dos mais caros colégios técnicos da área, existia uma garota que para mim era pelo menos irritante. Joyce era uma garota animada, patricinha e com pais que pareciam fazer tudo para agradar ela. Passou o ano todo indo para a escola raras vezes, sempre com uma desculpa médica ou porque simplesmente estava com “dor de cabeça”. Quando ia ficava o tempo todo rindo e brincando, os outros alunos a amavam e ficavam parados ouvindo ela falando besteiras sobre o namorado rico dela e fofocas aleatórias.

Eu, como um bom roqueiro, odiava essa garota, afinal era uma patricinha enjoada, chata pra caramba que era amada por todos, mesmo sendo mais irresponsavel que eu. Quando eu soube que ela, com 19 anos, iria se casar ao fim do ano com o namorado dela, rodar o Brasil na Lua de Mel e ir morar em Brasília, eu imediatamente afirmei: “tá grávida!” Só isso explicaria uma patricinha carioca dizer que vai se casar com 19 anos, ainda mais porque se dizia evangélica.

Eu matava muita aula, mas ela faltava muito mais, dias seguidos, eu ficava indignado. Como uma garota patricinha poderia ser mais irresponsavel do que eu? Afinal eu sendo irresponsavel e querendo ser o pior aluno da sala, não podia ser superado por uma patricinha mimada.

Ela as vezes ia embora comigo na condução da escola junto com vários colegas da escola, e em uma dessas, perto do fim do ano, ela passou dos limites: ela ria de tudo, me zuava, me humilhava, não parava de me zuar na frente dos meus amigos. Ela não parava de fazer brincadeiras, assim como na escola, ela ficava rindo sem parar, mas rir de mim era inadimissivel! Naquele momento nós brigamos feio, eu quase bati nela, nunca mais a vi e nem nos falamos.

No fim do ano fui pegar meu boletim, todos os alunos estavam juntos e eu recebi a notícia mais bombástica da minha vida: fui reprovado em um colégio particular que meu pai se matava para pagar. É lógico que fiquei revoltado, e muito apreensivo, pois sabia que meu pai iria acabar com a minha raça, mas minha furia aumentou ainda mais quando descobri que a Joyce, a patricinha irritante, havia sido aprovada. Eu gritei, esbravejei… Está certo que ela poderia ter estudado em casa para as provas, mas como uma garota que só ficava rindo o tempo todo, brincando com todo mundo e sempre faltava as aulas passou de ano e eu não? Ai um amigo dela me respondeu:

- Você não está sabendo? Ela tem um tumor cerebral…

Foi nesse momento que descobri o que é a vida: comecei a viver.

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12 mil dólares em opiniões

Tentei contato com a Joyce com todos os meios que tinha e consegui, mas não obtive respostas, nem achei ela em mídias sociais. Ninguém mais a viu…

Nunca tive a chance de pedir desculpas a ela… Se você precisa se desculpar com alguém, faça isso logo, antes que não dê mais tempo.

Estou chocada com a história. De fato, o ponto de vista de alguém com tumor cerebral é muito diferente dos nossos – casar, divertir-se, faltar aula….tudo vale a pena quando não se sabe quanto tempo vai viver…
Eu nunca gostaria de estar no lugar dela…mas se algum dia eu estivesse, levaria a vida como num playground!

òtimo texto renato. Viver faz toda a diferença , detalhes da vida que precisamos observar. Precisamos aprender a ouvir e conhecer detalhadamente a vida do outro antes de apontá-lo. Lembre-se para viver vc só precisa querer. Ao apontar para os outros , três dedos te apontam.

Renato, eu já te ouvi algumas vezes do Dotcast. Achei o texto sensacional! Venho aqui pedir autorização p publicar essa história em um espaço q tenho num site cristão da minha cidade. Eu escrevo algumas coisas bem simples, nada que se compare ao q li aqui.

Aaah, claro q n esquecerei de citar a fonte =]

O bom deste texto, é que ele vem nos advertir o quanto somos rápidos em julgar. Esquecemos muito rapidamente que do outro nada sabemos, só imaginamos.
Qual de nós não julgou ser conhecedor das intenções alheias?

“…Já sorri, já fiz feliz, já promovi, já elevei
Já chorei. já fiz chorar, já me excedi, já magoei…”

caraaaaamba,chocante!!
ah eu nao sei o que comentar…=(

quero pensar agora!!
^^

*mas,o texto ficou muito bom!!

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This post was mentioned on Twitter by Laila_Flower: Ainda estou meio chocada…qual o seu ponto de vista da vida? http://migre.me/cxB5...

^^ E aí Cavallera! Quanto tempo, einh? Muito bacana seu blog! A Ivyn me passou o link e tive que vir aqui dar uma olhada.
História difícil, einh? Mas é isso aê… Começar a viver e e não deixar para fazer as coisas no dia seguinte! Ótimo texto! Vc está escrevendo bem… xD

É sério Renato???
que história triste meu… o que será que aconteceu com ela???
se descobri vc conta aqui..

achei que no final vc ia se apaixonar por ela…rsrs acho q estou vendo muita novela…kkkk

bjs

uau. imagino como você deve ter se sentido na hora em que soube que havia sido capaz de ter julgado uma pessoa em estado tão frágil… cruzes!

acho que a sua intenção de procurá-la foi muito bonita, espero que à encontre [em plena saúde!] e que possa se redimir….

#choquei

Você tem razão Renato… O presente é uma pequena partícula oriunda do passado já corroendo o futuro…

Caracas, que final de história surpreendente…

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