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Sentimento nas Músicas

Posted by Renato Cavallera | Posted in Arte, Minhas Histórias, Música | Posted on 24-07-2010

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O Thiago e o Porto colocaram em seus blogs umas músicas estranhas de bandas quase desconhecidas, mas a razão foi simples: despertar sentimento.

O meme é para saber qual música desperta seus sentimentos mais inexplicaveis, eu decidi escolher uma que desde minha juventude perdida ronda minha cabeça. Embora não seja de uma banda desconhecida, a música é, tanto que nem vídeo ao vivo dela existe no Youtube.

Escolhi “Maluca” da Cassia Eller ainda sem saber porque. A primeira vez que ouvi esta faixa no meio do álbum “Com você… o meu mundo ficaria completo” – que me introduziu a criatividade de Nando Reis, da também inexplicavel Cegos do Castelo), achei uma droga e de menininha, mas ouvi novamente para tentar entender. Em seguida achei sem sentido, e depois estranha, mas ainda na dúvida ouvi outras e outras e outras muitas vezes, experimentando a cada momento algo diferente, do caos a beleza.

Hoje, para mim, ainda não sei bem o que essa música representa, mas a letra toca pela beleza e simplicidade de algo que não se tem mais hoje em dia. Então só resta imaginar uma chuva de botões de rosas. =)

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Conto de Natal

Posted by Renato Cavallera | Posted in Arte, Literatura, Minhas Histórias | Posted on 22-12-2009

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José e seu “possante” Gol verde, ano 87, estão desesperados. No banco de trás uma mulher, uma Maria com uma criança prestes a nascer, está mais calma que o motorista, mas mesmo assim desesperada, afinal vai ser mãe e pela primeira vez.

A chuva cai forte e José corta os carros como se estivessem parados, nas curvas é um pé na embreagem e outro no acelerador, freio? Pra que serve isso? A sua frente há um hospital público, é lá o destino já que os particulares estavam todos fechados para as férias coletivas de fim de ano.

Um carro, um Astra, acabou de sair da frente do hospital, há uma vaga para estacionar o Gol, minúscula, mas há uma vaga! José não quer saber de nada, arranca em cima do pára-choque do carro da frente e em seguida bate no pára-choque do carro atrás, e enfim estaciona a quase um metro do calçada e exageradamente torto, mas numa altura dessas o que importa? José sai em desespero no meio da chuva forte, entra no hospital deixando sua esposa no carro, chega até o guichê da recepção e comunica à velha enfermeira:

- Minha esposa está prestes a ter um filho, chama o doutor! – diz José gritando, mesmo sem perceber isso.

- Desculpe senhor, não temos leitos e o único médico de plantão está descansando agora, afinal já vai dar meia noite!

- O que? Ela está tendo um filho e o cara está dormindo!?!? Eu pago imposto pra que? Preciso de um quarto! Agora!

- Senhor, me desculpe, mas nada posso fazer, o médico não se encontra no hospital, acabou de sair de carro, não sei quando volta.

- Então me dê um leito! Por favor!

- Todos estão ocupados, senhor. Hoje teve uma manifestação contra uma Conferência Política aqui na cidade, muitos manifestantes ficaram levemente feridos, mas ainda sim feridos, você não viu o jornal?

- Me dê por favor um lugar! Qualquer um! Minha mulher não pode ter um filho dentro de um carro… ainda mais esse filho… – diz ele abaixando a voz.

- Posso pedir para a enfermeira improvisar uma maca para ela na lavanderia, é meio sujo, mas…

- … tudo bem… não tem mais jeito mesmo… mas então ande, vou buscá-la!

José correu para buscá-la e junto com a única enfermeira no hospital a levou para lavanderia do sub solo, não há muita luz no lugar, aquela porcaria daquela lâmpada está queimada a mais de 3 meses! Só há a luz amarela da lâmpada que se encontra no fundo do local. O lugar cheira a roupa suja, também pudera, se não cheirasse seria estranho, mas era o que tinha no momento. Havia uma maca feita com as roupas já lavadas que esperava a futura mamãe e um cesto coberto por um pano de um amarelo bem sem graça que esperava o futuro recém nascido. A enfermeira saiu, afinal ela tem todo um setor para cuidar sozinha, pois alguns segundos antes do casal chegar o médico saiu de carro com a outra enfermeira em seu Astra preto semi-novo sabe-se lá Deus pra onde.

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Maurício Saldanha e a Arte

Posted by Renato Cavallera | Posted in Arte, Cinema, Pessoas | Posted on 23-11-2009

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Eu vejo a arte como a expressão de um sentimento humano, por isso não é possível criar arte por dinheiro, mas assim como tudo na vida, a arte pode virar dinheiro. Mais do que criatividade, a arte necessita de sentimento para ser verdadeira. Hoje a arte é um produto, que vende pouco, e foi jogada de lado, já que em suas inumeras vertentes raras são as que geram dinheiro para que continue sendo produzida e divulgada.

Como todo amante da arte, gosto não de conferir, mas de consumir a obra criada pelo artista para assim poder sentir o que ele quer passar com aquele sentimento e assim viajar na idéia da obra e experimentar o sentimento que o artista sentiu ao idealizar a sua arte, mas mais difícil que isso é um terceiro conseguir sentir e difundir o tal sentimento; é preciso um dom único para isso: o de viver a arte, e Maurício Saldanha tem esse dom, essa estrela que brilha em cima da cabeça dele e o possibilita expressar o que sente sobre os mais diversos filmes que vê.

Não posso chamar Maurício Saldanha de crítico, mesmo porque críticos são pagos para falar bem ou mal de um filme (eu não disse que são pagos para avaliar um filme), o mínimo que posso chama-lo é de cinéfilo, mas isso seria pouco para descrever o que esse cara consegue trazer para nós com suas resenhas de filmes feitas no exato momento que o filme acaba, é um trabalho magnífico! Eu não concordo com todas as opiniões finais sobre os filmes que ele resenha, mas o que vale é a beleza, o sentimento, a arte, o prazer de ser um artista, e mais que isso: Mau Saldanha consegue sentir o que o filme quer dizer e ainda consegue passar esse sentimento em suas resenhas em seu site, ou seja, você sente o filme junto com ele! Você pode ser um artista, basta se expressar, mas para conseguir transmitir perfeitamente o que um outro artista quer dizer sobre uma obra é preciso ser mais do que um artista, é preciso ser um mestre, e Maurício Saldanha é um.

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