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Conto de Natal

Por Renato Cavallera | Em Arte, Literatura, Minhas Histórias | No 22-12-2009 |

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José e seu “possante” Gol verde, ano 87, estão desesperados. No banco de trás uma mulher, uma Maria com uma criança prestes a nascer, está mais calma que o motorista, mas mesmo assim desesperada, afinal vai ser mãe e pela primeira vez.

A chuva cai forte e José corta os carros como se estivessem parados, nas curvas é um pé na embreagem e outro no acelerador, freio? Pra que serve isso? A sua frente há um hospital público, é lá o destino já que os particulares estavam todos fechados para as férias coletivas de fim de ano.

Um carro, um Astra, acabou de sair da frente do hospital, há uma vaga para estacionar o Gol, minúscula, mas há uma vaga! José não quer saber de nada, arranca em cima do pára-choque do carro da frente e em seguida bate no pára-choque do carro atrás, e enfim estaciona a quase um metro do calçada e exageradamente torto, mas numa altura dessas o que importa? José sai em desespero no meio da chuva forte, entra no hospital deixando sua esposa no carro, chega até o guichê da recepção e comunica à velha enfermeira:

- Minha esposa está prestes a ter um filho, chama o doutor! – diz José gritando, mesmo sem perceber isso.

- Desculpe senhor, não temos leitos e o único médico de plantão está descansando agora, afinal já vai dar meia noite!

- O que? Ela está tendo um filho e o cara está dormindo!?!? Eu pago imposto pra que? Preciso de um quarto! Agora!

- Senhor, me desculpe, mas nada posso fazer, o médico não se encontra no hospital, acabou de sair de carro, não sei quando volta.

- Então me dê um leito! Por favor!

- Todos estão ocupados, senhor. Hoje teve uma manifestação contra uma Conferência Política aqui na cidade, muitos manifestantes ficaram levemente feridos, mas ainda sim feridos, você não viu o jornal?

- Me dê por favor um lugar! Qualquer um! Minha mulher não pode ter um filho dentro de um carro… ainda mais esse filho… – diz ele abaixando a voz.

- Posso pedir para a enfermeira improvisar uma maca para ela na lavanderia, é meio sujo, mas…

- … tudo bem… não tem mais jeito mesmo… mas então ande, vou buscá-la!

José correu para buscá-la e junto com a única enfermeira no hospital a levou para lavanderia do sub solo, não há muita luz no lugar, aquela porcaria daquela lâmpada está queimada a mais de 3 meses! Só há a luz amarela da lâmpada que se encontra no fundo do local. O lugar cheira a roupa suja, também pudera, se não cheirasse seria estranho, mas era o que tinha no momento. Havia uma maca feita com as roupas já lavadas que esperava a futura mamãe e um cesto coberto por um pano de um amarelo bem sem graça que esperava o futuro recém nascido. A enfermeira saiu, afinal ela tem todo um setor para cuidar sozinha, pois alguns segundos antes do casal chegar o médico saiu de carro com a outra enfermeira em seu Astra preto semi-novo sabe-se lá Deus pra onde.

Então em meio a correria, dúvidas, gritos e gemidos nasce um menino, O menino. Mesmo cheio de sangue, mesmo ainda com o cordão umbilical… ele é lindo. José encantado e chorando feito criança pega uma camisa que pelo menos parece limpa e o segura, o enxuga, corta o cordão umbilical e contempla orgulhoso o milagre da vida, o da vida dele, a de José, aquele filho é como a vida dele… Maria está bem, tudo está bem, até a chuva parou por alguns instantes, mas já voltou a cair com toda sua fúria.

Inesperadamente três homens de terno e gravata entram na lavanderia, junto deles há uma enfermeira, não a mesma que atendera o casal anteriormente, essa é bonita, com um rosto reluzente e angelical, com um uniforme branco o bastante para clarear o recinto, como uma estrela de brilho próprio.

– Vocês podem pegar toalhas aqui – diz ela antes de sair.

Os homens entram enojados com o local, não estavam acostumados com isso, os três são amigos e companheiros de partido, um é o governador, o outro é senador e último é o prefeito da cidade, estão de passagem por causa de uma Conferência Política, o carro em que estavam bateu em outro que estava no meio da rua, por sinal muito mal estacionado em frente ao hospital. Eles olham José e o ignoram, passam por ele. Olham para a criança e se impressionam, afinal é uma bela criança, nem tão grande, nem tão pequena, nem tão cabeluda, nem tão careca, nem tão nada, perfeita! Pura e simplesmente.

Os governantes chegam calmamente perto da criança que sorri inocentemente nos braços de Maria, o que deixa José preocupado até perceber que os homens de terno fino contemplam o bebê de uma forma diferente, como se estivessem adorando-o. Imediatamente o senador dá a José o seu cartão e sua senha para compras em débito automático, o Prefeito – pomposo – tira um cheque em branco, assina e também entrega ao veloz motorista do Gol, o governador retira um papel e anota o número de seu celular particular e se prontifica a pagar os melhores hospitais para a criança e pediu para que assim que pudessem, levassem o bebê para o melhor hospital particular que encontrassem aberto, pois ele pagaria tudo que fosse preciso.

A atendente do guichê apareceu no recinto, ela foi avisar que o táxi para os três políticos havia chegado. Eles então se retiraram deixando José e Maria perplexos. A enfermeira que levou os governantes até os dois sumiu, jamais foi vista antes e nem depois do ocorrido.

Jesus cresceu, se tornou mais influente do que juntos os três governantes que o visitara naquela noite um dia poderiam ser, mas aos 33 anos foi morto em um acidente que serviu de exemplo pra conscientizar o mundo de alguns problemas em que se afoga. Após o acidente muitas pessoas foram salvas graças a esse exemplo.

Então em homenagem ao exemplo mor, que veio nas dificuldades que qualquer um poderia ter, no desespero que qualquer pai pode ter, que nasceu como qualquer um pode nascer, que viveu como qualquer um pode viver, foi decretado no dia 25 de Dezembro o feriado mundial da união, da entrega, da misericórdia, do perdão e principalmente do amor: amor por você.

Feliz Natal.

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4 mil dólares em opiniões

É um texto que escrevi em 2007 para meu antigo blog, revisei e republiquei aqui não por eu estar em espirito natalino, mas porque eu to afim de republicar ele aqui. ;)

Adorei o texto.. A contextualização foi muito interessante e unido ao sentimento que o texto emprega relacionando ao que “deveriamos” sentir não só no Natal, mas em todo o ano deixou o texto leve e descomprometido..

Repetindo… Adorei o texto!

caramba!!!
uauuuuuuu,né?
muito bom renato…não tinha lido na 1° publicação ,eu acho.
gostei muito de…tudo…^^ sério mesmo,é muito bom poder imaginar a hisoria de Jesus sem toda aquela fantasia que faz arte da cabeça de todos….mas olhar que foi realmente tudo muito simples…

Parabéns pelo texto cunhadinhoooooooooooo!! =D

bjo,fica com DEUS!!
^^

Renato, beleza mano!?

Cara, gostei do conto, achei bem criativo. Não me recordo de ter lido esse no outro blog. É bem legal reler textos antigos não é!? Quando eu faço isso com alguns poemas meus, sinto como se estivesse lendo algo que outra pessoa escreveu… É meio estranho, não sei se isso acontece com você.

Bem, disse que falaria algo a respeito da minha visão sobre o natal, mas como o conto soou como uma mensagem de natalina e não necessariamente como uma argumentação a respeito da data, então, não irei destoar a canção! Rs.

Abraço e continue escrevendo!

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