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Oração da Propina, da benção, do evangélico, do otário…

Por Renato Cavallera | Em Cristianismo | No 02-12-2009 |

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Em muitos jornais e noticiários um dos assuntos mais falados é o da “oração da propina”, onde depois de receber dinheiro supostamente ilegal de José Roberto Arruda, o deputado Rubens Cesar Brunelli, integrante da bancada Evangélica na Câmara, ora com os envolvidos agradecendo a “benção” e pedindo proteção divina para seu abençoador.

Em muitas ruas e bairros um dos assuntos mais falados é o da “oração ao Pai”, onde depois de receber dinheiro supostamente sacrificado pelos assalariados fiéis, o pastor titular e fundador da igreja, vestido com um terno vistoso, ora com os envolvidos agradecendo a “benção” e pede protenção divina para seus dizimistas.

Muitos evangélicos não podem reclamar da intragavel cena da “Oração da Propina”, afinal participam do mesmo esquema.

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A patricinha irritante da minha escola

Por Renato Cavallera | Em Minhas Histórias, Vida | No 25-11-2009 |

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Nos meus tempos de adolescente eu não escondo de ninguém que fui um idiota rebelde: bebia de mais, não respeitava nada nem ninguém, não estava nem ai para os estudos e só queria saber de sexo, drogas e rock ‘n roll literalmente, assim consegui estar na lista dos piores alunos do colégio e bater alguns recordes de bagunça, mas isso é história para outro post…

Na minha turma no 3ª e último ano do segundo grau (ensino médio hoje), em um dos mais caros colégios técnicos da área, existia uma garota que para mim era pelo menos irritante. Joyce era uma garota animada, patricinha e com pais que pareciam fazer tudo para agradar ela. Passou o ano todo indo para a escola raras vezes, sempre com uma desculpa médica ou porque simplesmente estava com “dor de cabeça”. Quando ia ficava o tempo todo rindo e brincando, os outros alunos a amavam e ficavam parados ouvindo ela falando besteiras sobre o namorado rico dela e fofocas aleatórias.

Eu, como um bom roqueiro, odiava essa garota, afinal era uma patricinha enjoada, chata pra caramba que era amada por todos, mesmo sendo mais irresponsavel que eu. Quando eu soube que ela, com 19 anos, iria se casar ao fim do ano com o namorado dela, rodar o Brasil na Lua de Mel e ir morar em Brasília, eu imediatamente afirmei: “tá grávida!” Só isso explicaria uma patricinha carioca dizer que vai se casar com 19 anos, ainda mais porque se dizia evangélica.

Eu matava muita aula, mas ela faltava muito mais, dias seguidos, eu ficava indignado. Como uma garota patricinha poderia ser mais irresponsavel do que eu? Afinal eu sendo irresponsavel e querendo ser o pior aluno da sala, não podia ser superado por uma patricinha mimada.

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Maurício Saldanha e a Arte

Por Renato Cavallera | Em Arte, Cinema, Pessoas | No 23-11-2009 |

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Eu vejo a arte como a expressão de um sentimento humano, por isso não é possível criar arte por dinheiro, mas assim como tudo na vida, a arte pode virar dinheiro. Mais do que criatividade, a arte necessita de sentimento para ser verdadeira. Hoje a arte é um produto, que vende pouco, e foi jogada de lado, já que em suas inumeras vertentes raras são as que geram dinheiro para que continue sendo produzida e divulgada.

Como todo amante da arte, gosto não de conferir, mas de consumir a obra criada pelo artista para assim poder sentir o que ele quer passar com aquele sentimento e assim viajar na idéia da obra e experimentar o sentimento que o artista sentiu ao idealizar a sua arte, mas mais difícil que isso é um terceiro conseguir sentir e difundir o tal sentimento; é preciso um dom único para isso: o de viver a arte, e Maurício Saldanha tem esse dom, essa estrela que brilha em cima da cabeça dele e o possibilita expressar o que sente sobre os mais diversos filmes que vê.

Não posso chamar Maurício Saldanha de crítico, mesmo porque críticos são pagos para falar bem ou mal de um filme (eu não disse que são pagos para avaliar um filme), o mínimo que posso chama-lo é de cinéfilo, mas isso seria pouco para descrever o que esse cara consegue trazer para nós com suas resenhas de filmes feitas no exato momento que o filme acaba, é um trabalho magnífico! Eu não concordo com todas as opiniões finais sobre os filmes que ele resenha, mas o que vale é a beleza, o sentimento, a arte, o prazer de ser um artista, e mais que isso: Mau Saldanha consegue sentir o que o filme quer dizer e ainda consegue passar esse sentimento em suas resenhas em seu site, ou seja, você sente o filme junto com ele! Você pode ser um artista, basta se expressar, mas para conseguir transmitir perfeitamente o que um outro artista quer dizer sobre uma obra é preciso ser mais do que um artista, é preciso ser um mestre, e Maurício Saldanha é um.
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Cazuza era um idiota

Por Renato Cavallera | Em Pessoas | No 20-11-2009 |

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Ontem estava vendo o especial “Por Toda a Minha Vida” na Globo que homenageava Cazuza. Nunca fui fã do cara, mas isso nunca foi desculpa para critica-lo. O problema é o fato de eternizarem esse poeta: para que?

Cazuza era um idiota que com 32 anos, morreu de AIDS ainda quando a doença estava começando a ser difundida, entre uma overdose e brigas, o poeta escrevia belas canções e curtia a vida. Não me ligo ou julgo a forma como alguém aproveita sua vida, o problema é o exemplo que Cazuza se tornou. Cazuza foi importalizado por suas letras, e as besteiras que fez na vida fizeram pessoas que conheci entrarem para as drogas, a promiscuidade e tudo mais que ele viveu.

Todo mundo queria ser Cazuza, mas ele era um eterno adolescente que queria curtir a vida e não chegou nem na metade dela. Essa é a grande inteligencia e criatividade deste poeta da música? Conheço pessoas que fizeram muito mais pelo mundo e pela própria vida do que escrever belas canções. Não devemos curtir a vida, devemos viver a vida.

O grande problema de Cazuza é que ele foi imortalizado. Quando se imortaliza uma pessoa, se imortaliza seus erros, acertos e dúvidas também. Não se deve imortalizar um artista,  deve-se imortalizar sua obra, assim o nome do artista será imortalizado.

Cazuza, seus herois morreram de overdose, você morreu de AIDS, de que você queria matar seus fãs? Seu problema era exatamente o que cantava, faltava uma ideologia, pena que você morreu cedo de mais para conseguir uma.

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